quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Uma Voz Serena...

O sorriso eu já não sei, mas a voz não era a mesma, tinha um toque de serenidade, já não havia aquela prepotência de outrora nos sons que ele emitiu durante aquela curta conversa. Teria ele mudado, ou apenas voltado a ser a pessoa por quem ela se lançou ao vento, com a certeza de que ele lhe daria asas? Como saber, se nessas horas o coração fica meio burro, meio sem rumo... E o que dizer da alma, que agora grita e implora para ser libertada e ir de encontro ao seu outro eu? As jaulas dessa prisão invisível já não são mais o suficiente para manter esta mulher longe do seu Sol. Como esquecer aquela voz, que agora vai atormentá-la pra sempre, como um fantasma que assombra as noites de solidão? Como não lembrar daquele rosto que brilhava quando a via se aproximando? Como esquecer que um dia eles foram um só ser, e aceitar que não se pode viver apenas com as sobras, é preciso colar os pedaços e ir de encontro ao desconhecido, deixando para trás as coisas que não precisam mais existir, as coisas insignificantes que destruíram essas almas, que no vazio da noite, choram a ausência uma da outra. Há muito eu sei que o sono se tornou algo puramente obrigatório para este corpo que, na maioria das vezes preferia nem acordar, na esperança de sonhar tudo de novo, de ouvir a voz doce novamente, nem que isso se desse em meio ao vazio e a escuridão da noite. 

Silvana Hennicka!!!