domingo, 11 de agosto de 2013

Lágrimas de Sangue em Copacabana

Eu precisava sentir, rever, relembrar...Pisar na calçada de ondas que identifica a "Princesinha do Mar", frustrou-me e a falta de coragem não me permitiu ir até o endereço 115. O pão já não é de açúcar, mas lembro-me bem o sabor que tinha o croissant de chocolate, comprado quentinho no domingo pela manhã e sempre acompanhado por um sorriso. Pude sentir a areia fina passando pelo meio dos meus dedos. O cheiro do mar e o vento gelado, trouxeram o passado de volta e eu chorei, não me importando com as pessoas me olhavam, e para quem me ofereceu ajuda, eu disse que as lágrimas eram de alegria pelo que eu tinha vivido ali naquele lugar. Eu disse, que chorava por estar vendo o seu rosto na imensidão do mar. Para que tudo fosse vivido com intensidade eu parei em frente ao Roxxy e fiquei observando... Morei tão perto e nunca assisti um filme ali. No quiosque redondo, tomei uma caipira de limão com vodca e lembrei das fotos tiradas com o celular... Se eu pudesse descrever uma emoção com palavras, eu descreveria o que senti quando entrei no Clube do Taco, ao ver as mesas de Sinuca lado a lado e você beijando meu pescoço enquanto eu tentava jogar. Fui até o Cafeína e pedi um cappuccino, apenas para relembrar o dia 01 de Janeiro de 2011, já que a noite anterior havia sido a melhor noite de nossas vidas. Quando passei ao lado do 115, não olhei, pois sabia que você estava à quilômetros dali e que talvez fosse melhor não lembrar da minha partida... Foi melhor não ter na mente a maneira com que eu me despedi de todos os nossos sonhos às 5 horas da madrugada do dia 23 de Fevereiro de 2011, quando parti sem olhar pra trás, foi o dia mais triste da minha vida, pois eu sabia que nunca mais eu entraria no apartamento 608, nosso lar... Não quis relembrar. Andei, olhei, fui a todos os lugares onde você esteve comigo. Dei pipoca aos micos na praia vermelha, aos pés do morro da Urca, subi na pedra mais famosa do Brasil, abri os braços diante do Pai, tentei jogar sinuca sozinha, comi pipoca com muita manteiga, pedi seis "hot filadélfia" na panificadora onde o atendimento era horrível, desci a escada rolante do mercado onde você me deixava constrangida, pela maneira como demonstrava a nossa paixão e comprei um "toblerone"... Eu amava tudo aquilo... Ainda sem coragem de ir ao 115, eu sentei naquele banco localizado no final da Santa Clara, fechei meus olhos e pude ver você fazendo risoto pra mim as 3 horas da madrugada, só por que eu acordei com fome. Comprei um CD do Milton Nascimento, mas este, sinceramente, eu doei, não suportei ouvi-lo mais que uma vez, era torturar-me demais. Ainda ali, naquele banco, pude ver você tentando pescar, às 11 horas da noite, enquanto eu tomava "Lambrusco", sentada na areia. No Jardim Botânico eu li pra você, um pouquinho antes do guarda nos expulsar da grama. No aeroporto, lembrei da primeira chegada, dos seus olhos brilhando e da sua cara de ansiedade e medo. No bondinho, ouvi você me chamar de "Anja" e ri sozinha, chamando a atenção de uma senhora que estava sentada ao meu lado, no mesmo banco que estivemos com a Fran.... Apenas lembranças, devaneios, alucinações... Eu não queria mais abrir meus olhos, voltar pra realidade do meu quarto e perder tudo de novo, então pedi a Deus não me permitisse mais acordar e ele atendeu o meu pedido...


Silvana Hennicka!