terça-feira, 1 de maio de 2012

Primavera de jardins coloridos e cheiro de flor de ariticum. Cheiro da minha infância, quando eu e o meu irmão brincávamos debaixo de um pé de laranja lima. Ô saudade que faz o peito apertar. Uma infância que vivi intensamente, mas, cresci, e o cheiro da flor de ariticum, continua aqui, assim como uma mensagem dizendo: "Que pena que você foi embora". Saudade, pura e simples, saudade. Por que eu a sinto??? Eu te odeio, saudade!!! Por que tenho tudo tão vivo em minha memória??? Por que estou aqui e não aí??? Não adianta chegar o outono e transformar as flores em frutos, se eu não tenho coragem para apagar o gosto do seu beijo da minha boca, porque assim, como o cheiro da flor de ariticum, ele está aqui e não tem como esquecer. E as tangerinas...??? Essas davam no começo do inverno. Ficávamos, como dizia minha mãe, fedendo, por causa do cheiro de sua casca. E a mensagem??? Estúpida mensagem que me atormenta!! Tão sem conteúdo, sem nada demais... mentira! Para mim, vale mais que um poema escrito em prosa e verso. Isso me basta e eu me arrependo por ter ido embora, deveria ter ficado, deveria tê-lo beijado!!! Agora vamos viver o frio do inverno, que dá preguiça pela manhã. Café e mais café!! Nada de chá gelado ou sorvete, precisamos de chocolate quente e muitos beijos na boca. Um cobertor de orelha, ou um sussurro no ouvido??? Tanto faz, a regra é, transformar o frio em calor e reler a mensagem com cheiro de flor de ariticum.

- Silvana Hennicka