domingo, 13 de novembro de 2011

Livro Fechado

Revendo as página de sua vida, ela encontrou algumas poucas linhas que lhe trouxeram lembranças e dúvidas, mas ela não se ateve a isso, preferiu continuar virando as finas folhas daquele livro que um dia escreveu sob a luz de uma vela. As lágrimas sempre molhavam o papel e a noite era a única companhia. Quando o Sol chegava meio tímido e pedia licença para a Lua, a pobre mulher já havia perdido o rumo e sentia o desespero invadir sua alma. Não queria ver a luz do dia, queria apenas ficar ali, na presença das estrelas, que com seu brilho, disfarçavam o quanto o céu era assustador e ao mesmo tempo envolvente. Muito tempo passou desde que aquele amontoado de letras foi transformado em algo sentido na pele e transferido para o papel. Hoje, na companhia da Lua, ela relembra como cada frase foi escrita e o significado de cada uma delas. As sensações vividas em nome do amor, deixaram marcas que o tempo levará consigo por várias existências, como uma tatuagem que marca não só o corpo, mas também a alma. Após repassar  aquela infinidade de páginas, uma a uma, o baú impresso foi fechado e guardado bem longe dos olhos da bela mulher, pois mesmo não tendo coragem de reler as suas lembranças, seu desejo era esquecer também as sensações que aquela ligação com o passado deixava em seu corpo. 


Silvana Hennicka!!!