quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Teria Sido um Sonho?

Ela estava na varanda conversando com a Lua enquanto esperava o seu amor chegar. Banho tomado, cabelos sedosos e um cheiro que o enlouquecia. Ela sabia como seduzi-lo e como mantê-lo apaixonado, apesar dos anos que já haviam se passado. Mas naquele dia algo parecia estar diferente e ela não conseguia entender o que era. Ficava se perguntando por que a angústia a estava invadindo. Os minutos foram se transformando em horas e a Lua foi ficando triste de tanto observar o sofrimento daquela mulher. O Sol já estava pedindo licença, quando alguém se posicionou sob a varanda e a chamou pelo nome. Ela não reconheceu a voz e seu coração acelerou de vez. Ela se debruçou no parapeito e pediu para que Deus a levasse naquele exato momento. Palavras eram indispensáveis para ela saber que não veria mais o seu amor. Aquele homem ali parado, abaixo de seus pés, traduziu tudo com um simples olhar. Perguntas a rondavam e seu corpo foi perdendo as forças. Quando percebeu, estava sentada sobre suas próprias pernas no chão, de joelhos. Seu corpo estava vulnerável e seu coração em pedaços, destruído pela dor. Uma mulher apaixonada que não tinha mais motivos para viver. Em meio ao seu próprio desespero, ela percebeu que alguém a observava e quando levantou os olhos, se deparou com o motivo de seu martírio. A imagem da pessoa a quem ela dedicou a vida, estava sendo ofuscada pela luz que se fazia presente. Ele lhe alcançou a mão e imediatamente a levantou. Uma lágrima desceu pela sua face e quando ele, em um movimento delicado foi tirá-la do rosto da sua amada, ela fechou os olhos e ao abri-los, sentiu a vida retornando para dentro de seu peito. Pouco tempo havia se passado desde o momento em que ela pegou no sono e  ele a despertou com um beijo. Aquilo poderia ter sido um sonho, mas ela classificou como algo muito além da compreensão humana. A ideia de ter perdido a sua alma gêmea,, lhe trouxe a pior dor que uma pessoa poderia sentir. Ela então o abraçou e em seguida, os dois partiram de mãos dadas, rumo a um lugar reservado apenas para eles. Um lugar protegido do mundo real, onde a maldade já não existe. Agora teriam a eternidade para viver o seu amor.  Enquanto as pessoas se aglomeravam na calçada de pedra fria que ficava logo abaixo daquela sacada, o corpo da bela mulher repousava e sob uma poça de sangue ele transformou-se em um simples objeto de curiosidade. 


Silvana Hennicka!!