terça-feira, 13 de setembro de 2011

Deixando a Vida Voltar

E, ao abrir a janela para cumprimentar o Sol, ela se deu conta de quão bela é a vida. Não há dinheiro nem fama que pague a sensação que ela viveu ao sentir aquele calor gostoso em sua face, ao ouvir um casal de Sabiás saudando o início da manhã com seu canto incessante. Ela sorriu para as flores, que o vento, com sua suavidade, balançava de um lado para outro e teve nesse momento, a oportunidade de ver um lindo beija-flor colorido se aproximar do jardim. Ele se dirigiu a maior quantidade de flores possíveis, enquanto ela não conseguia desviar o olhar daquele pequeno ser, mas de uma beleza imensurável. As borboletas chegavam com timidez, porém, sem perder a exuberância e em poucos minutos ela já pode sair da janela, já havia tomado a "injeção" de ânimo de todas as manhãs. A janela permaneceu aberta e as cortinas se divertiam com o vento, que insistia em balançá-las, permitindo assim que a luz do dia levasse vida para o interior daquele quarto, que pouco tempo atrás, era um posso escuro e sem nenhuma vida. Nele existia apenas um coração, batendo com dificuldade no corpo de uma mulher que não tinha mais esperança. Ela havia deixado sua alma fora daquele quarto quando descobriu que estava só em sua trajetória, mas sua vida mudou quando, em uma manhã, ela se olhou no espelho. A pessoa que estava do outro lado, era aquilo que ela havia se permitido transformar e então o choro foi inevitável. Após passar horas revendo seu passado e tentando descobrir o por que daquilo estar acontecendo, um sopro de vida a fez suspirar e ela saiu do pesadelo. Decidiu que queria viver muito além do que sua mente lhe permitia e então, abriu a janela. Sua vida, que estava à parte do seu corpo, voltou e com ela, sua alma. Hoje a mulher que outrora contava os minutos, sente que faltam horas no seu dia, pois viver lhe consome muito tempo e assim não dá para fazer outra coisa, como por exemplo, remoer o passado.


Silvana Hennicka!!