segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma Alma Aprisionada

Na imensidão daquela estrada, pensei em alguém. Ouvindo uma música com um toque de saudade, eu chorei e com a visão embasada pelo existir das lágrimas, firmei o volante. A chuva era tanta que eu me pegava confusa, no meio do nada. Os trovões, os faróis dos carros que vinham na direção contrária e as gotas d`água que explodiam no para-brisas, me desconcentravam, mas um rosto não me saia da mente, então, desejei ser  transportada para um mundo, onde as mágoas se transforassem em rosas vermelhas e a decepção em beija-flores coloridos... Eu sempre imaginei que com o tempo a saudade fosse se extinguindo, mas, novamente eu me enganei. A saudade hoje, me faz refletir sobre as oportunidades que joguei fora... Me faz pensar nas vezes que meu orgulho não me deixou fazer o que meu coração mandava, porém, alegro-me pelas poucas vezes que tive coragem de enfrentar o mundo, apenas para ter algumas horas de felicidade. Um vacilo fez com que o carro saísse da pista e depois que passou o susto, meu choro se intensificou. Comecei a imaginar como somos frágeis... seres mortais e provisórios, que em questão de segundos, podem deixar este mundo. Mesmo com tudo isso na mente e com o coração apertado, eu precisava voltar a acelerar... Eu não podia parar... Ter mais uma vez a morte ao lado, me fez refletir. Um ponto de interrogação, enorme se posicionou dentro de mim. "E se eu tivesse morrido?" Não existe resposta para essa pergunta e nunca existirá, pois a pergunta não é essa... A pergunta é: "Será que quando eu morrer, eu terei realizado os meus sonhos, que, dia após dia eu deixo pra amanhã? ". Preciso rever tudo e fazer o que meu coração está implorando que eu faça, pois um dia, será tarde demais... Não consigo fazer isso... eu já não sei se vale a pena ouvir meu coração, ele já errou tanto, ou não? Talvez minha mente me cegue tanto que eu não consigo ver o óbvio e sendo assim, eu me mantenho imóvel diante dos fatos, diante das pessoas e diante de mim mesma. Eu poderia agora, fazer o que acho que não devo, pois meu coração está mandando. Eu poderia também, acessar minha alma, para tentar assim, encontrar a resposta, mas esse ato implicaria em libertá-la  e isso já não é possível, pelo menos não hoje, pois uma alma livre, é capaz de fazer o maior estrago dentro de uma pessoa... Quando se liberta a alma, não é preciso ouvir o coração, ou a razão, basta se deixar guiar, pois a alma é pura e sem rótulos. A alma não tem personalidade e nem deve satisfação para essa mente cheia de convenções que guia o corpo e rege as atitudes de cada ser. O problema de libertar minha alma é que ela sabe para onde me levar e o que é certo fazer, mas o medo de errar novamente me faz mantê-la aprisionada e em um estado de total hibernação. Hoje minha alma não vê, não ouve, não sorri, não chora... ou seja, hoje minha alma não vive, apenas existe.


Silvana Hennicka!!