terça-feira, 2 de agosto de 2011

Onde Encontramos a Felicidade?

Em busca de realizar os seus desejos, ela fugiu de tudo e de todos. Não se importou com quem chorava a sua ausência. Foi egoísta ao extremo, mas ela sabia que a hora que encontrasse o que procurava, poderia voltar e trazer a felicidade consigo, uma felicidade nunca sentida antes, uma emoção que a faria voar, que traria a imortalidade até seus pés. Ela precisava daquilo, ou morreria por dentro e assim, a tristeza de quem a amava seria pior do que a saudade que sentiam por ela não estar por perto. No começo a viagem era uma sensação de liberdade que lhe colocava em euforia plena. Todos a admiram, pois ela, além de ser muito bonita, tinha no rosto o sorriso mais puro que alguém poderia ter visto. A expressão de seu rosto fazia com que todos quisessem ficar por perto, ela transbordava paz e alegria. Não existiam momentos tristes ou de solidão, tudo era perfeito. Em cada lugar que passava, ela atraía novos admiradores. Os homens a desejavam e as mulheres apreciavam os seus conselhos de mulher experiente e cada vez mais, ela sentia que tinha tomado a decisão certa. Mas o tempo passou e não restaram muitos lugares onde ela pudesse comprar um pouquinho de felicidade, e com isso, bateu a solidão e a tristeza lhe cercou como um fantasma que inferniza o tempo todo. Ela começou a se lembra de quem deixara para trás e se desesperou ao perceber que a felicidade tão sonhada estava com ela o tempo todo, mas que fora muito egoísta para notá-la. E agora? O que fazer para recupera o tempo perdido? Os anos haviam sido implacáveis e sua beleza já não atraía mais ninguém... Sentiu-se só!!  Decidiu parar e refletir, não queria mais seguir em frente. Seu único desejo era voltar correndo para casa e encontrar tudo o que havia deixado para trás... Queria encontrar tudo do jeitinho que havia deixado, mas em meio as suas alucinações de uma vida perfeita, ela se esqueceu que o tempo não passou somente para ela e que as pessoas abandonadas por ela, por mais que tivessem sofrido, continuaram a viver. A pobre mulher, agora com uma idade que já causava pena, só queria uma coisa antes de morrer, encontrar seu amor, o homem que ela havia abandonado há muitos anos. Ela começou então, uma outra viagem, só que agora dentro de um único lugar, o seu passado. Andou por bares, ruas, lojas.... Pediu informações, mostrou a centenas de pessoas a única foto que possuía de seu amor. A foto estava velha e mal cuidada, já que havia ficado por muito tempo jogada no fundo de uma mala "surrada". Ninguém parecia conhecer aquele homem que ela não percebeu, também havia envelhecido. Ela olhava o retrato em preto e branco e enquanto andava pelas ruas da pequena cidade, que outrora não lhe acrescentava nada, lembrava dos passeios pela praça e dos beijos roubados atras da escola. Ela chorou... Chorou muito quando viu que não encontraria mais sua outra metade e que morreria sozinha e triste, mas o pior, era ter a certeza de que não havia ainda, encontrado a felicidade tão sonhada. Tudo o que vivera durante os anos de euforia, em nada lembrava hoje a felicidade. Voltando à realidade após perder todos os anos de sua vida, ela lembrou-se que a felicidade era ganhar um botão de rosa no dia dos namorados, dar colo a uma amiga que estava triste, andar em uma roda gigante toda enferrujada e segurar a mão de quem estava do lado, deixando transparecer o medo que se estava sentindo, receber os amigos no sábado à noite para assistir filme e beber vinho "canção", pois a felicidade está na companhia e não na qualidade da bebida. Ela percebeu que para ser feliz é preciso tão pouco, é comer algodão doce no domingo à tarde sentado no meio fio e reparar na roupa das mulheres que passam, só para poder criticar, é mandar mensagem as cinco horas da manhã para os amigos, apenas para dizer: "tô te acordando porque te amo". Ela nunca se perdoaria por ter deixado sua felicidade para trás, por ter abandonado o grande amor de sua vida, que na hora de sua partida lhe implorou para que ficasse ao seu lado, pois ele precisava dela para continuar vivo... Ela não quis ouvir seus gritos de socorro e saiu de encontro ao que pensava ser o seu destino. Agora, sentada na mesma praça onde passara a maior parte de sua infância, ela chora inconsolavelmente e sem querer, deixa a foto cair no chão. Com a cabeça baixa, ela vê que uma mão enrugada a apanha e a leva para o alto. Ela passa as mãos no rosto, a fim de enxugar as lágrimas e levanta a cabeça na esperança de ver quem se faz presente à sua frente. O velho homem sorri para ela e pergunta: "É você quem está me procurando?


Silvana Hennicka?