sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ancorada em um Cais de Ilusão!!!

Sem ter certeza da direção, eu ancorei meu barco no lugar errado. Onde pensei ser meu porto seguro era na verdade um cais de amargura, mesmo assim meu barco permaneceu ali por muito tempo. A neblina impedia que qualquer tipo de luz chegasse até mim e os poucos postes que estavam no local, davam espaço para que enormes mariposas se fizessem presente. Eu sentia um arrepio constante e não conseguia dar mais do que alguns passos. Tentava sair do barco e seguir em frente, mas a escuridão era tanta que eu preferia ficar parada, mesmo sentindo tanto medo. Me perguntei várias vezes, como eu não vi que aquele porto não era o lugar que eu pensei que fosse? Eu estava navegando rumo aos meus sonhos, que sempre estiveram repletos de lindas flores e borboletas coloridas. Como eu pude me enganar? Como eu pude desligar os motores em meio a essa incerteza? A resposta veio depois de uma tempestade devastadora, que afastou todas as nuvens negras e deixou a luz do sol chegar. Eu não havia me enganado, estava no lugar certo, mas no momento errado. Por causa da minha ansiedade eu havia me adiantado. Eu tinha que ter ficado em alto mar até a tempestade passar e assim poder ter o meu porto seguro de volta, mas meu erro causou danos irreparáveis. Após sofrer tanto em um lugar que sugava minhas energias dia após dia, eu me alojei no porão do barco e lá permaneci. Nem percebi que tudo o que me fazia mal havia passado, não deixando assim, que o sol corasse a minha pele e os meus olhos vibrassem com o colorido das borboletas. Eu me enganei tanto com aquele porto, que não consegui ver o que tinha por trás daquela escuridão e me apeguei ao cais da tristeza, como se ele fosse a última coisa que me restava, até que um dia algo aconteceu. Eu estava deitada em meio as minhas alucinações, ouvindo as batidas do meu coração enfraquecerem gradativamente, quando senti a presença de um ser, digo um ser, porque tenho certeza que era um anjo. Ele abaixou-se ao lado da cama e segurou a minha mão dizendo: "Me desculpa por fazê-la sofrer tanto, mas era preciso, só assim você poderia ver o quão bela é a vida. É preciso perder algo para sabermos o quanto ele vale e você jogou a sua vida no lixo, ancorando-a em um lugar que não te fazia bem e não fez o mínimo esforço para ligar novamente os motores e procurar o caminho de volta. Você preferiu ficar aqui, sofrendo sozinha e esperando o fim, simplesmente pelo fato de acreditar que havia algo por trás das nuvens negras. Você sofreu por ter a certeza de que os olhos veem muito alem,  e é por isso que eu estou aqui,quero lhe devolver a vida e poder lhe mostrar que você não errou em esperar por uma coisa que acreditava que um dia aconteceria". Os meus olhos estavam imersos em lágrimas, quando ele, com muita delicadeza me guiou para fora daquele porão malcheiroso e deprimente. À princípio eu não consegui encarar o Sol em toda a sua plenitude, mas aos poucos eu voltei a me acostumar com seu brilho. Sentir novamente aquele calor na pele enquanto respirava profundamente e sentia o aroma das flores, foi como nascer de novo, no fundo foi isso que aconteceu. Agora eu darei muito mais valor a vida e tomarei cuidado para que meus olhos não enganem mais meu coração, que no fundo só quer acreditar que as coisas nem sempre são o que parecem pois é de uma feia lagarta que nasce uma bela borboleta.


Silvana Hennicka!!