sábado, 30 de julho de 2011

Doença Bipolar

Passei  alguns dias estudando sobre Doença Bipolar (Doença Maníaco Depressiva) e me espantei ao perceber que eu posso ter convivido com ela por muito tempo. Me dói pensar que cometi uma injustiça tremenda com uma pessoa muito importante pra mim. Confesso que me assustei ao ver como se comportam as pessoas que tem essa doença e a falta de controle que elas possuem sobre si mesmas. Não sou psiquiatra e nem tenho conhecimento técnico sobre o assunto, estou me baseando apenas na pesquisa que fiz. Citarei abaixo parte de um artigo sobre o assunto e espero que mais pessoas consigam perceber quando alguém estiver gritando por ajuda em silêncio e não cometam assim o mesmo erro que eu cometi.
A Doença Bipolar, tradicionalmente designada Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e «mania». Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável. As crises podem ser graves, moderadas ou leves.
As mudanças do humor, num sentido ou no outro têm importante repercussão nas sensações, nas emoções, nas ideias e no comportamento da pessoa, com uma perda importante da saúde e da autonomia da personalidade.
O principal sintoma de «MANIA» é um estado de humor elevado e expansivo, eufórico ou irritável. Nas fases iniciais da crise a pessoa pode sentir-se mais alegre, sociável, ativa, falante, auto-confiante, inteligente e criativa. Com a elevação progressiva do humor e a aceleração psíquica podem surgir alguns ou todos os seguintes sintomas:
  • Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;
  • Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
  • Reação excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
  • Aumento de interesse em diversas atividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
  • Grandiosidade, aumento do amor próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que o resto do mundo;
  • Energia excessiva, possibilitando uma hiperatividade ininterrupta;
  • Diminuição da necessidade de dormir;
  • Aumento da vontade sexual, comportamento desinibido com escolhas inadequadas;
  • Incapacidade em reconhecer a doença, tendência a recusar o tratamento e a culpar os outros pelo que dá errado;
  • Perda da noção da realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes»;
  • Abuso de álcool e de substâncias químicas como drogas.
Na depressão o principal sintoma é um estado de humor de tristeza e desespero.
Em função da gravidade da depressão, podem sentir-se alguns ou muitos dos seguintes sintomas:
  • Preocupação com fracassos ou incapacidades e perda da auto-estima. Pode ficar-se obcecado com pensamentos negativos, sem conseguir afastá-los;
  • Sentimentos de inutilidade, desespero e culpa excessiva;
  • Pensamento lento, esquecimentos, dificuldade de concentração e em tomar decisões;
  • Perda de interesse pelo trabalho, pelos hobbies e pelas pessoas, incluindo os familiares e amigos;
  • Preocupação excessiva com queixas físicas e dores;
  • Agitação, inquietação, sem conseguir estar sossegado ou perda de energia, cansaço, sem vontade pra nada;
  • Alterações do apetite e do peso;
  • Alterações do sono: insonia ou sono em excesso;
  • Diminuição do desejo sexual;
  • Choro fácil ou vontade de chorar sem ser capaz de fazê-lo;
  • Ideias de morte e de suicídio;
  • Tentativas de suicídio;
  • Uso excessivo de bebidas alcoólicas ou de outras substancias;
  • Perda da noção de realidade, ideias estranhas (delírios) e «vozes» com conteúdo negativo e depreciativo;
Segundo minhas pesquisas essa doença não tem cura, mas é possível viver com qualidade de vida se for tratada e controlada, ainda mais se o paciente tiver o apoio da família e dos amigos, o único problema é que a pessoa portadora desse distúrbio afasta todos a sua volta, não restando muitas pessoas pra ajudá-la. Eu mesma abandonei alguém que precisou muito de mim, pelo simples fato de não ver que havia um problema. Não posso afirmar aqui que o problema era este, mesmo assim eu não fiquei ao seu lado e me arrependo por isso. Para mim basta saber que tinha um grito de socorro e eu tapei os ouvidos para ele, preocupando-me apenas com o que eu queria pra mim. Espero ter a chance de corrigir este erro, nem que para isso eu dedique o resto da minha vida. Espero ter tempo e mesmo que o problema seja outro, que estar ao lado desta pessoa sempre que ela precisar. As vezes o nosso egoísmo e a nossa falta de sensibilidade nos cega e não vemos a realidade que nos cerca.
Silvana Hennicka!
A Marjorie Estiano tem o poder de me colocar de volta à um lugar de onde eu nunca deveria ter saído. Se fecho os olhos, consigo ouvir o barulho dos carros e sentir o cheiro do vinho... Foi importante, foi único e jamais será esquecido... A tatuagem ficará para sempre no meu corpo e no meu coração e em outra vida quem sabe as coisas se deem de uma maneira menos errada e mais sincera, como deveria ter sido nesta vida... Agora, apenas vivendo...


Silvana Henicka!!

sábado, 23 de julho de 2011

Colando o que Restou de Mim!

Como encontrar paz em meio a tantos conflitos dentro da mente? Por que continuar trabalhando em um jardim que só atrai parasitas? Tenho que parar e refletir... O que estou fazendo com o que sobrou de mim? Ao invés de colar os pedaços para voltar a viver, eu simplesmente faço o oposto, quebro meus cacos mais e mais, reduzindo-os à pó, sem me preocupar com a dificuldade que terei para juntá-los amanhã. Sinto muito ódio do que faço, do que fiz e do que tenho certeza, ainda farei, mas não encontro o "como agir diferente". Por que preciso me autoafirmar todos os dias? Não! Eu não preciso disso! Eu preciso é provar para mim mesma que sou uma mulher verdadeira e não um poço de falsidade, pois só assim, as pessoas que um dia acreditaram em mim, poderão viver em paz e não se sentirão enganadas. Minhas atitudes, por mais que estivessem carregadas de verdade, sempre demonstraram o contrário e a culpa disso tudo é toda minha. Como pude dizer que não teria conteúdo para escrever uma carta? Tenho sim! Tenho muito conteúdo, o qual dará um lindo livro, com uma capa colorida e desenhos de borboletas, onde ao centro ficará aquela foto que foi rasgada um dia, mas que tenho certeza, já está colada novamente, pois se não for assim, prefiro fazer uma capa preta e sem brilho. De todas as dores que carrego comigo, a que mais machuca é a dor do "não saber onde foi o começo do fim..." Agora não adianta mais gastar energia tentando descobrir coisas do passado. Não faz mais sentido esta busca incessante por respostar, preciso é parar de fazer perguntas, pois só assim, os pontos de interrogação me deixarão em paz. Chega! Eu estou cansada de: Por que isso? Por aquilo? Por que eu não agi de outra maneira? Por que errei tanto? Por que? Por que....? Preciso parar com a ilusão de que, se eu tivesse sido outra pessoa em meu próprio corpo, tudo teria sido diferente... Não teria! Tudo teria se dado da mesma maneira, pois cada um tem identidade e personalidade própria, eu sou "eu", você é "você", cada um é "cada um" e partindo deste princípio, eu devo aceitar que, conviver comigo mesma às vezes é insuportável, imagine conviver com pessoas teoricamente desconhecidas, pessoas que tem vontade própria, gostos, medos, ambições, limitações, sonhos... Seres únicos em meio ao universo. Queria ter entendido mais e ao mesmo tempo, ter me amado mais. 
Eu não deveria ter usado o espelho apenas para arrumar o cabelo ou fazer uma maquiagem, eu deveria tê-lo usado para olhar dentro dos meus próprios olhos e ver uma menina linda e sonhadora, a mesma menina que eu matei, quando agi da maneira que agi. Hoje eu até olho bem no fundo dos meus olhos, mas só consigo ver um espaço vazio deixado pelo ser sublime que habitava meu corpo quando o lindo anjo ainda me protegia com suas asas. Mais uma vez os "porquês" voltaram a me atormentar e eu voltei a sofrer. Queria poder dizer a verdade, mas para quê, se dependendo de quem ouvir, isso soará como outra mentira e assim eu vou navegando pelo rio de buscas incessantes, para quem sabe um dia, encontrar novamente um cais seguro, já que meu porto foi destruído por uma tempestade chamada "decepção". Várias vezes eu procurei um sinônimo para a palavra amor, dos vários que encontrei, teve um que chamou-me a atenção e decidi guarda-lo em uma caixa, onde só coloco as coisa mais valiosas. Hoje para mim, amor significa "vida", pois é preciso estar vivo para lutar por aquilo que se quer conquistar e eu não vou desistir de viver. Eu quero acordar todos os dias e ter um motivo para continuar acreditando e este motivo és tu bela borboleta, é só por sua existência que eu decidi voltar a cuidar do meu jardim. 
Espantarei todos os insetos que se apossaram das flores que um dia lhe pertenceram e assim que chegar a hora, você poderá bater assas e voltar para casa, não mais rastejando como uma lagarta, mas como um ser que agora está livre do casulo, assim como eu, e nesse momento, não te pegarei nas mãos para que você possa morrem em paz, mas para devolver a vida que você renega...


Silvana Hennicka!!!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Angústia...

Não sei o que ouve agora, neste instante, mas uma súbita tristeza invadiu meu coração. Um aperto no peito arrancou lágrimas dos meus olhos e me fez sentir medo novamente. Posso dizer com certeza que meu coração está me pregando uma "peça", já que eu não me sentia assim há muito tempo. As vezes ele faz dessas, quer que eu faça coisas insensatas e que não me levariam a lugar algum. É como dar um giro de 360°, andar, andar e voltar para o início. Mas não adianta ele insistir, eu não posso fazer o que ele me pede, por mais que ele grite e pule dentro do meu peito, não dá, não posso insistir no mesmo erro... O que me resta e buscar forças no colo das minhas amigas, elas sim, tem o poder de colocar meu coração em seu devido lugar e me fazer voltar a realidade. Eu já pensei, várias vezes, que elas estavam erradas e segui contra o vento, "quebrei a cara" e sempre voltei com decepção e desilusão no olhar. Eu queria muito ouvir o que tenho no peito, mas hoje, apenas hoje, eu vou seguir minha mente, pois tenho a plena certeza de que amanhã ele vai me dizer que se enganou mais uma vez, e assim eu não vou precisar me arrepender por tomar atitudes impensadas e que no fundo, não fariam mais diferença alguma. Tudo já é passado, mas nem tudo já foi dito. Há muita coisa pairando pelo ar em forma de enormes pontos de interrogação e quando cada um encontrar sua resposta, a vida voltará a ter o mesmo valor que tinha antes deles aparecerem e enquanto ninguém conseguir escrever o livro das respostas para todas as perguntas que ainda existem, eu vou simplesmente, vivendo e esperando.....


Silvana Hennicka!!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Refletindo....

Há dias que não consigo escrever. Estive pensando... Será que estou sem inspiração, ou será que a tristeza foi embora? Por muitas vezes eu tentei entender o que se passa comigo, mas a única coisa que consegui entender, é que não existem respostas para algo desconhecido. A maior parte dos meus contos e textos tem um toque especial de melancolia e tristeza, porém, já não sinto tudo isso dentro de mim. E agora? Que atitude tomar para continuar fazendo o que mais gosto, que é escrever? Sei que a resposta está aqui, mas não consigo acessá-la. Talvez eu continue querendo escrever coisas que já não fazem parte da minha mente, ou tenha medo de ser feliz e escrever coisas positivas e que façam as pessoas sorrirem. Não posso negar que a decepção ainda faz parte do meu mundo, mas já não choro quando as lembranças me preenchem a mente, ou quando, sem querem, as fotos aparecem na tela do computador. Eu poderia criar um álbum chamado "saudade", mas isso seria camuflar a realidade e voar de volta para a gaiola que me torturou por tanto tempo. Vivi prisioneira de mim mesma por um tempo muito longo e agora preciso ver no que há em minha volta, a perspectiva de um recomeço. Preciso entender que também tenho limitações e que a vida não é um jogo de vídeo-game, onde eu passo dar uma pausa quanto quiser buscar um copo d`água. A vida continua, querendo eu, ou não. Não posso mais esperar por algo que já sei, não vai acontecer, pois para isso, tudo teria que ter mudado e eu tenho plena certeza de que a mudança está longe de acontecer, pois admitir os erros é para poucos. Conheci pessoas que preferiram ser infelizes à ter que admitir que não são perfeitas... Pedir perdão então... essa palavra simplesmente não existe no dicionário de muita gente, não que elas não saibam que erraram em algum momento de sua vida, mas porque deixaram o orgulho se posicionar acima do coração. Eu nem sei por que reclamo tanto, ganhei a vida de volta em uma bandeja repleta de amigos e sonhos, que novamente estão invadindo minhas noites. Achar que tudo estava perdido, sofrer por antecedência e ficar sabendo que ganhei outra oportunidade para continuar aqui e corrigir meus erros,  é mais do que motivo para eu respirar fundo e sorrir todos os dias. Estou em um aprendizado contínuo com meu corpo, que sempre me mostra, mais e mais, o quanto eu "posso", desde que mantenha uma simbiose entre mente e alma. Se eu pudesse fazer um pedido hoje, pediria para que alguém, perdido em qualquer lugar da terra, sentisse o que eu estou sentindo, pois só assim, eu seria feliz por completo. Substituir ódio, desilusão e desprezo, por amor, não é uma tarefa fácil, ainda mais quando não se admite que o ódio surgiu por conta dos nossos próprios erros, mas para quem deseja muito, nada é impossível e eu não vou desistir de acreditar que ainda há uma chance para recomeçar, não importa de onde se tenha parado, nem que, se preciso for, eu volte ao começo e viva tudo novamente, sinta cada emoção, tanto as boas quanto as ruins, pois viver, não significa apenas sobreviver neste mundo onde a maldade e a inveja se fazem presente há todo momento e em todos os lugares. Com o pensamento que eu tenho hoje, se eu pudesse voltar no tempo, eu guardaria tudo o que de bom vivi, em um lugar bem escondido, longe dos olhos de qualquer pessoa, pois o que é bonito, deve ser preservado, para que ninguém tente tomar posse. Eu não faria isso como uma forma de demonstrar propriedade ou egoísmo, claro que não, mas como uma maneira de manter o amor e o respeito das pessoas que passaram pela minha vida e me fizeram bem, assim como pretendo dar valor ao amor das pessoas que aqui estão e que ainda virão...


Silvana Hennicka!!!

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Para o "orgulho" de Ulisses...

Das atitudes que regem a vida, me dediquei a ti, Ulisses
Das lágrimas que puseste em minha face, alimentei sorrisos
Das lembranças que tatuaste em mim, escolhi as mais belas
Não espero que tu entendas o meu sofrer
Pois de nada adianta, Ulisses, saber para nada fazer
Teria que ser de braços abertos, de alma e não só de corpo
Se tu queres uma vida plena, te dedicas também, Ulisses
Pois limitação é para os que não desejam permanecer...
Vai buscar a força que tu não sabes que possui, "complexo" Ulisses
Superando o orgulho extremo, serás feliz comigo
Por que não entende que dê amor eu vivo?
Mas os erros me perseguem, e assim permaneço... sempre e imutável...
Por que me julgas, se sua sabedoria é plena e inabalável?
Se olhares para o espelho, terás tu, o reflexo dos meus porquês
Pegue as respostas e venha...
Volte e entenda as atitudes de sua "Esperança", meu adorável Ulisses
Se já, em um passado não distante, conseguiu os erros admitir...
Por que Ulisses, não vem me acalmar e me permite em teu colo chorar?
Insignificante se tornou o meu sofrer, por outros meios eu ter buscado...
Queria apenas te desvendar, misterioso Ulisses.
Como podes tu, me arremessar aos lobos no frio desta floresta?
Me resgate deste mar de sangue que mancha minha pele com a cor escarlate.
Ulisses, por que me renegas se sabes de minha possessão por ti?
Ser sua dona sempre foi meu desejo, então, amado Ulisses, entenda...
Sua decepção por mim, sufoca, machuca, mas não se compara ao ódio que faz o peito doer, ao abandono deste ser insignificante que permanece aqui
Me disses tu naquele dia, que a rolha já não será sacada, pois o vinho não deve mais ser ingerido
Mas e o quadro, Ulisses, um dia será emoldurado?
E a morte, poderemos vê-la, estando nós, lado a lado?
Sinto falta dos lençóis e do toque em meu corpo nu...
Das canções à luz de vela, eu me lembro...
Mas não servem para ti, inconstância chamada Ulisses
Pois de tudo eu quis te dar, mas só consegui te afastar
Não me importo, pois de amor ainda vivo e por amor eu renasci
Só para ti, amado Ulisses, que deixou de sonhar, por eu, a verdade encontrar...

Silvana Hennicka!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

No Vale da Sombras.

Perdida em uma floresta escura, ela só tinha um desejo, seguir em frente. Passava as horas em meio aos ruídos causados pelos seres que habitavam o lugar, mas não sentia medo, no fundo gostava de estar ali presa ao desconhecido. Para ela, viver a realidade já não era um desejo, ela queria paz e solidão. Em meio a neblina que envolvia as árvores, ela sentia frio, seu cabelo estava úmido e a pele ressecada pelo vento. Com um gesto delicado, ela retirou do rosto a mecha de cabelo que o vento insistia em bagunçar. Seus dedos estavam gelados e ela sentiu um arrepio ao leva-los até a orelha, onde enroscou a mecha de fios loiros. Sempre olhando para frente, ela sentia seus pés envolvidos pelas folhas secas que caíram no outono e agora repousavam sob o solo fértil da floresta. Ela nunca soube se era dia ou noite, sabia apenas que precisava seguir em frente e continuar sendo forte e corajosa, como sempre fora. Quanto mais andava, mais ela tinha certeza de que não sairia daquele vale de sombras, pois a vida estava lhe mostrando que a face da morte não é tão assustadora quanto parece, depende do ângulo que se observa. Em sua busca incessante por resposta, ela sentiu uma gota de orvalho escorrer sobre a bochecha rosada e nesse instante ela foi trazida de volta a realidade. No mesmo momento em que abriu os olhos, ela levantou a cabeça, afim de ver de onde partira tão sublime gota d`água. Espantada ficou, ao visualizar um raio de luz lhe ofuscando a visão. Em um movimente quase que involuntário, levou a mão aos olhos, como uma maneira de se proteger e aos poucos foi se acostumando novamente com aquele calor gostoso que não sentia há muito tempo. Quando decidiu olhar em volta, sentiu uma liberdade nunca sentida antes, a neblina havia se dissipado. Os ruídos que a assombravam haviam sido substituídos pelo cantar de centenas de pássaros. Após dias de frio intenso, ela finalmente pode retirar do pescoço o grosso cachecol vermelho que tentava aquecê-la. Os dedos finos e compridos já não estavam gelados. Conforme o sol foi secando seu cabelo, os cachos foram tomando forma e ela ficou feliz. 
Ela percebeu que o medo estava dentro de si e a única maneira que encontrou para superá-lo, foi enfrentando-o. 
Se tivesse fugido, seria bem possível que nunca encontrasse a saída, mas como decidiu espantar as coisas ruins que a cercavam, agora ela poderia parar e desfrutar de sua nova vida. Finalmente seu desejo foi realizado, ela acordou do sonho para viver "sua" realidade. No começo não foi fácil, as vezes ela sentia falta do barulho oculto, do vento balançando os galhos das árvores e zumbindo em seus ouvidos. Sentia falta da brisa gelada e dos seus cabelos na face, mas quando isso acontecia, ela tinha o poder de fechar novamente os olhos e voltar para seu mundo imaginário, pois o caminho de volta ela já aprendera. Nem sempre o que parece uma desgraça é tão ruim assim. Existem momentos que precisamos de nós mesmos e mais nada, momentos que precisamos fugir para o nosso próprio mundo e conversarmos com nossa alma. Necessitamos fazer uma análise de tudo o que está acontecendo à nossa volta, para só então, conseguirmos ouvir o cantar dos pássaros, ver o brilho do Sol, sentir o cheiro da chuva na terra seca, observar a beleza das flores... Precisamos dos momentos ruins para  darmos valor aos momentos bons. Precisamos estar sós, para sentir saudade de alguém que já nos completou e que agora só encontramos em meio aos nossos sonhos.


Silvana Hennicka!!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Como é bom ser livre...

Não importa o que te digam a respeito de você estar certo ou errado, porque bom mesmo é ser livre para tomar as próprias decisões. 
Bom mesmo é cantar na chuva, rodar olhando pro céu, ser feliz a cima de tudo. 
Bom mesmo é ter liberdade para escolher o que fazer da própria vida, é poder descobrir que as coisas simples e as pessoas mais humildes são o verdeiro sinônimo de felicidade. 
Bom mesmo é olhar dentro dos olhos da morte e mandá-la embora, pois ainda não chegou a sua hora. 
Bom mesmo é comer um sanduíche enorme e se lambuzar, sem se preocupar com quem está lhe observando.
Bom mesmo é se entregar as paixões e viver cada emoção que elas lhe proporcionarem, seja boa ou ruim.
Bom mesmo é ter o coração aberto para as críticas e fazer disso um aprendizado, pois essa é uma das maneiras de admitir que não somos perfeitos.
Bom mesmo é tomar citrus com vodca, durante uma sessão de fofocas com os amigos e depois comer suspiro para passar o porre.
Bom mesmo é ter uma amiga para desabafar nas horas de tristeza, é poder xingar, se lamentar, se fazer de vítima, mas o melhor de tudo, é poder dar muita risada quando notar que nem era pra tanto.
Bom mesmo é reencontrar a família e sentir segurança.
Bom mesmo é quebrar a cara, pois cada cicatriz que ficar em você, vai lhe fazer lembrar dos erros e assim lhe ajudar a errar menos.
Bom mesmo é fazer uma tatuagem, isso prova que você é uma pessoas de atitude.
Bom mesmo é se arrepender de ter feito uma tatuagem, isso prova que você também tem o direito de se arrepender.
Bom mesmo é demonstrar o tamanho de sua paixão, seja ela pelo que for.
Bom mesmo é ter a capacidade de perdoar e se livrar das coisas ruins que preenchem o seu coração.
Bom mesmo é conseguir passar o final de semana sozinho e não sentir solidão, isso é descobrir que você consigo mesmo já basta.
Bom mesmo é abrir uma caixa de lembranças e relembrar...  é sentir saudade, e chorar de arrependimento.... e depois disso tudo sorrir diante do espelho, por estar feliz.
Bom mesmo é admitir que perdeu um grande amor, por não ter tido mais paciência.
Bom mesmo é ter a capacidade de recomeçar do zero e não de onde parou, pois só assim, teremos a chance de corrigir os erros cometidos.
Bom mesmo é andar com as próprias pernas e deixar as muletas para os que precisam realmente.
Bom mesmo é nunca abrir mão dos sonhos, mesmo sabendo que alguns nunca se realizarão, pois sem sonhos somos pessoas vazias e pessoas vazias, não tem a capacidade de amar.
Bom mesmo é não sentir a vaidade tomar conta do nosso corpo, pois até o bumbum mais firme cai um dia.
Bom mesmo é ver a beleza interna de cada ser e não apenas a casca que os envolve, pois se um ele esquecer de vesti-la, você não o reconhecerá.
Bom mesmo é paquerar, é beijar, é se aquecer com outro corpo, mas sem esquecer que você não é dono de ninguém. 
Bom mesmo é ter disposição para sair da cama em um dia gelado no inverno apenas para ver o Sol levar a geada embora.
Bom mesmo é ser quem você é e nunca mudar seu gosto musical apenas para agradar alguém, ou comer coisas esquisitas só por que a pessoa que você tá afim, acha "maneiro".
Bom mesmo é ter um carro velho, mas não dever nada ao banco, pois viver de aparências é o mesmo que deixar a alma presa em uma jaula.
Seja quem você é e não use ninguém como escada, pois se um dia você precisar voltar, terá que passar pelos mesmos degraus que te lavaram ao topo, ou então cairá direto com a cara no chão.


Silvana Hennicka!

sábado, 2 de julho de 2011

Encontros com a verdade!

Em busca de respostas, eu viajei por vários mundos e em cada um deles eu vivi emoções diferentes.
No mundo do AMOR, eu sorri, me doei e amei.
No mundo da PAIXÃO, eu andei sobre a linha tênue que divide esses dois mundos que, apesar da diferença, ainda enganam muita gente.
No mundo do PRAZER, eu tive as mais variadas sensações e fiz as maiores loucuras.
No mundo dos SONHOS, eu habitei uma pequena casa com lareira e um cachorro branco.
No mundo da TRISTEZA, eu chorei e percebi que estar triste não significa ser infeliz.
No mundo da CONFIANÇA, eu me decepcionei.
No mundo da MENTIRA, eu descobri que precisava conversar mais com meu coração.
No mundo do PERDÃO, eu descobri o quanto sou forte ao  admitir que gostei do tempo que passei no mundo da mentira.
No mundo do SEXO, eu descobri o quanto é bom fazer amor.
No mundo da SAUDADE, eu descobri o estrago que a distância pode causar aos amantes.
No mundo da VERDADE, eu descobri que dá para superar o mundo da mentira.
No mundo das FLORES, percebi que as borboletas vem sozinhas, basta cuidar do jardim.
No mundo da SUPERAÇÃO, eu descobri que sou mais forte do que a morte.
No mundo da DECEPÇÃO, busquei forças para continuar visitando o mundo do amor.
No mundo do ESQUECIMENTO, eu descobri coisas impossíveis.
No mundo dos PLANOS, eu tentei não pensar no futuro, pois se um dia ele chegar, será na verdade o presente.
No mundo do ÓDIO, senti na pele o quanto as pessoas podem ser cruéis.
No mundo da ESPERANÇA, não encontrei a resposta de uma pergunta, "Prá que esperar?"
No mundo da FAMÍLIA, eu senti pena de quem não pode contar com a sua.
No mundo da PIEDADE, eu notei o quanto eu não preciso disso.
No mundo das VIAGENS, vi vários aviões partirem, mas eu sempre permanecia no aeroporto.
No mundo do MEDO, senti o arrepio de saber que mesmo em meio a uma multidão, sempre estaremos sozinhos.
No mundo da FANTASIA, eu voei, conheci um anjo, conversei com Deus e recebi dele uma terceira oportunidade.
No mundo dos FILHOS, tive mais uma vez a certeza de que quero voltar ao mundo do amor.
No mundo de UMA SÓ PESSOA, eu fui avisada que não existe nós dois, apenas você e eu.
No mundo das PROMESSAS, eu me vi de volta ao mundo das decepções.
No mundo do PARA SEMPRE, eu descobri que tudo acaba um dia e fui arremessada ao mundo da mentira.
No mundo da ARROGÂNCIA, vi pessoas sendo humilhadas.
No mundo do EGOÍSMO, eu senti tristeza pelas pessoas que não sabem somar, apenas dividir.
No mundo da MÁGOA, desejei sair logo e voltar para o mundo do perdão.
No mundo do RECOMEÇO, eu insisti para que me dessem mais uma chance com o passado.
No mundo da CULINÁRIA, eu descobri que também tenho a capacidade de engordar.
No mundo da GANÂNCIA, me dei conta do quanto as pessoas ricas são vazias.
No mundo da AMBIÇÃO, eu vi muita gente acabar sozinho.
No mundo das LETRAS, consegui escrever um livro.
No mundo da IGNORÂNCIA, as pessoas eram cegas.
No mundo da COVARDIA, eu via a violência se fazer presente e homens se esconderem do mundo.
No mundo da VAIDADE, eu descobri a futilidade.
No mundo do CONSUMO, eu descobri que deveriam criar o mundo da doação.
No mundo da INDIFERENÇA, conheci o oposto do amor.
No mundo dos BRINQUEDOS, eu comprei um ursinho com defeito de fabricação.
No MEU MUNDO, eu decidi que ninguém mais vai me fazer chorar.

Silvana Hennicka!!!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Ancorada em um Cais de Ilusão!!!

Sem ter certeza da direção, eu ancorei meu barco no lugar errado. Onde pensei ser meu porto seguro era na verdade um cais de amargura, mesmo assim meu barco permaneceu ali por muito tempo. A neblina impedia que qualquer tipo de luz chegasse até mim e os poucos postes que estavam no local, davam espaço para que enormes mariposas se fizessem presente. Eu sentia um arrepio constante e não conseguia dar mais do que alguns passos. Tentava sair do barco e seguir em frente, mas a escuridão era tanta que eu preferia ficar parada, mesmo sentindo tanto medo. Me perguntei várias vezes, como eu não vi que aquele porto não era o lugar que eu pensei que fosse? Eu estava navegando rumo aos meus sonhos, que sempre estiveram repletos de lindas flores e borboletas coloridas. Como eu pude me enganar? Como eu pude desligar os motores em meio a essa incerteza? A resposta veio depois de uma tempestade devastadora, que afastou todas as nuvens negras e deixou a luz do sol chegar. Eu não havia me enganado, estava no lugar certo, mas no momento errado. Por causa da minha ansiedade eu havia me adiantado. Eu tinha que ter ficado em alto mar até a tempestade passar e assim poder ter o meu porto seguro de volta, mas meu erro causou danos irreparáveis. Após sofrer tanto em um lugar que sugava minhas energias dia após dia, eu me alojei no porão do barco e lá permaneci. Nem percebi que tudo o que me fazia mal havia passado, não deixando assim, que o sol corasse a minha pele e os meus olhos vibrassem com o colorido das borboletas. Eu me enganei tanto com aquele porto, que não consegui ver o que tinha por trás daquela escuridão e me apeguei ao cais da tristeza, como se ele fosse a última coisa que me restava, até que um dia algo aconteceu. Eu estava deitada em meio as minhas alucinações, ouvindo as batidas do meu coração enfraquecerem gradativamente, quando senti a presença de um ser, digo um ser, porque tenho certeza que era um anjo. Ele abaixou-se ao lado da cama e segurou a minha mão dizendo: "Me desculpa por fazê-la sofrer tanto, mas era preciso, só assim você poderia ver o quão bela é a vida. É preciso perder algo para sabermos o quanto ele vale e você jogou a sua vida no lixo, ancorando-a em um lugar que não te fazia bem e não fez o mínimo esforço para ligar novamente os motores e procurar o caminho de volta. Você preferiu ficar aqui, sofrendo sozinha e esperando o fim, simplesmente pelo fato de acreditar que havia algo por trás das nuvens negras. Você sofreu por ter a certeza de que os olhos veem muito alem,  e é por isso que eu estou aqui,quero lhe devolver a vida e poder lhe mostrar que você não errou em esperar por uma coisa que acreditava que um dia aconteceria". Os meus olhos estavam imersos em lágrimas, quando ele, com muita delicadeza me guiou para fora daquele porão malcheiroso e deprimente. À princípio eu não consegui encarar o Sol em toda a sua plenitude, mas aos poucos eu voltei a me acostumar com seu brilho. Sentir novamente aquele calor na pele enquanto respirava profundamente e sentia o aroma das flores, foi como nascer de novo, no fundo foi isso que aconteceu. Agora eu darei muito mais valor a vida e tomarei cuidado para que meus olhos não enganem mais meu coração, que no fundo só quer acreditar que as coisas nem sempre são o que parecem pois é de uma feia lagarta que nasce uma bela borboleta.


Silvana Hennicka!!