quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Mais Bela Lembrança!!

Este conto foi baseado em uma conversa que ela teve ao telefone com seu grande amor. A tristeza a cercava e ela não sabia mais o que fazer. Quando mais ela chorava, mais ele se afastava. Em uma noite de solidão, ela implorou para que ele explicasse o que estava acontecendo. Por que já não era como antes? Ele então, sem medo de magoá-la, disse: "Não foi esta a mulher que eu conheci. A mulher que eu conheci, brilhava e você está apagada. O sorriso pelo qual eu me apaixonei, há muito tempo não está no seu rosto.Você parou de cuidar do seu jardim e não só eu, muitas outras pessoas, estão se afastando. Eu tento, mas, já não consigo mais te tocar". Ao ouvir estas palavras ela quis saber o que aconteceria se demorasse para tudo acontecer. Se as flores demorassem a nascer, ele ainda a esperaria? Ela teve uma surpresa ao ouvir que não importava o tempo que demorasse, ele voaria até ela, assim que sentisse toda aquela energia novamente. Como de costume, ela teve mais uma dúvida. E se em meio a espera ele perdesse suas asas, como chegaria até ela? Ele respondeu: "Se você demorar, a ponto de eu perder as minhas asas, eu juro para você, me arrastarei até  encontrar o seu jardim, farei um buraco embaixo da mais linda flor, e, ali eu morrerei feliz".
Ele era instável e ela muito apaixonada, não que ele não a amasse, amava, e muito, mas o medo de não saber o que fazer ou de não saber como fazer os distanciava.
Ela foi perdendo seu brilho, brilho esse que mantinha ele com esperanças.
Os dois quase não se tocavam, pois a distância era grande e com a dor da ausência, ela parou de cuidar do seu jardim.
As flores foram secando uma a uma, pois deixaram de ser regadas e o resultado disso, foi o afastamento progressivo das borboletas.
Ela só se deu conta do que estava acontecendo, quando a última borboleta desapareceu. Não era só mais uma, era a mais bela de todas, aquela que fazia com que ela acordasse feliz todas as manhãs.
Olhar pela janela agora, era uma tortura, ver um lugar que outrora havia sido um recanto de beleza, transformado em ramos secos e cores cinza, não fazia bem a ela, e seu brilho então acabou de vez.
A tristeza tomou conta de sua alma e seus sonhos também fora sumindo um a um.
A razão pela qual ela esperava o futuro já não existia mais.
Certa manhã, após dias de incertezas, ela acordou com a esperança de que se voltasse a cuidar do seu jardim as borboletas poderiam então retornar e foi o que aconteceu.
O trabalho começou com a reposição das plantas velhas por mudas novas. As cores deveriam ser as mais variadas e as flores as mais belas.
Após dias de trabalho pesado o resultado era inexplicável.
Havia borboletas de todas as cores.
Ela olhava para elas, uma a uma, mas onde estava a mais bela?
Só então percebeu que apesar de tudo, seu objetivo não havia sido alcançado.
Poderiam estar ali todas as borboletas do mundo, mas o vazio de ter deixado partir a única razão do seu viver jamais seria preenchido.
Ela não perdeu a esperança e continuou plantando flores e mais flores....em vão.
A espera poderia ser eterna, então ela resolveu ir atrás da única razão para tanto esforço.
Tamanha foi sua angústia ao descobrir que sua borboleta preferida já não podia voar.
De nada adiantava seu esforço para atraí-la de volta, ela jamais viria.
Então seu jardim foi novamente morrendo e seu brilho apagando.
Passava as horas olhando pela janela na esperança de ver seu grande amor voltando.
Mesmo estando tudo sem vida e deprimente ela não abandonou o seu jardim e num belo dia viu que algo andava entre meio as folhas secas.
Sem saber direito o que era ela foi se aproximando.
Seus olhos se encheram de lágrimas ao ver a mais bela das borboletas se arrastando pelo chão.
O trajeto havia sido longo e dolorido.
Seu corpo indefeso estava machucado e cansado.
Ela então a tomou nas mãos e olhos em seus pequenos olhos cheios de alegria por ter conseguido seu objetivo, voltar para casa.
Já não havia mais vida em seu corpo frágil, agora a bela borboleta poderia morrer em paz.
Todos os dias quando acorda, ela agradece a Deus por nunca ter desistido, pois através de sua persistência, ela pode ver seu amor pela última vez.
Amor esse que quebrou todas as barreiras  e a fez ver o quanto era amada e desejada.
Amor que será eterno. Outras borboletas aparecerão, mas nunca tomarão o lugar da mais bela, pois ela foi única e se tornou uma linda lembrança.
Os anos passaram, ela envelheceu, porém nunca mais perdeu seu brilho. Toda vez que olhava o jardim, ela tinha a impressão de que seu amor estava lhe observando, como se fosse uma das flores.
Durante anos ela foi cortejada por borboletas das mais belas e, com seu jeito meigo, pedia desculpas e dizia ser fiel.
Sua beleza foi desaparecendo, junto com a vontade de continuar lembrando de seu amor e finalmente numa tarde ensolarada ela apagou.
Morreu sentada ao lado da casa que possuía a mais bela variedade de flores que já havia existido.

 Silvana Hennicka.